Apreensões sucessivas de notas falsas ocorridas no início do mês nas cidades de Araguari, no Triângulo Mineiro, e Cordisburgo, região Central, colocaram em alerta os policiais da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) da Polícia Federal em Minas. Em casos desses a preocupação não é apenas em apreender as notas e prender os criminosos, mas, principalmente, em descobrir para onde foram tantas outras notas sem valor comercial. E mais: onde foram confeccionadas. Se de um lado os criminosos aperfeiçoam seus métodos de falsificação, do outro os órgãos de segurança investem muito dinheiro na criação de dispositivos cada vez mais sofisticados para impedir esses tipos de crimes.
Conheça em detalhes os elementos de segurança da cédulaEntre os dispositivos empregados atualmente estão a marca d água, fibras coloridas, fibras luminescentes e fio de segurança. Entretanto, na opinião de alguns especialistas, um dos dispositivos mais eficazes é o chamado "registro coincidente", que consiste em um pequeno círculo do lado direito da nota que, visto contra a luz se apresenta único, quando a nota é original, e duplo, no caso das notas serem falsas. "É quase impossível falsificar uma nota com o registro coincidente perfeito", afirma o perito criminal federal Geraldo Magela Vieira de Lima.
A guerra no combate à falsificação de cédulas falsas é tão acirrada que o Banco Central, em todos os estados, mantém um grupo permanente especializado em fazer palestras para funcionários de diversas empresas. Durante os encontros eles mostram os caminhos que se deve seguir para evitar tornar-se mais uma vítima dos falsários. Também são distribuídos folhetos, folders e livretos com dicas de como verificar se uma nota é verdadeira ou falsa.
Entretanto, apesar de tantos esforços, a cada ano aumenta o número das notas falsas no mercado. De acordo com a delegada Cristina Amaral Passos Figueiredo, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) da Polícia Federal em Minas, somente este ano foram registrados 120 inquéritos desse tipo de crime. Ela diz ainda, que as notas mais falsificadas são as de R$ 50. A preocupação é tanta que os federais têm aumentado o efetivo de equipes especializadas no combate aos falsários. "Eles sabem quais as regiões com maior incidência de casos e rastreiam cada nota, até chegar aos distribuidores", diz a policial.
Cidades visadasO aumento do número de cédulas falsificadas chega a ser assustador. Dados da Delefaz mostram que em 2005 a Polícia Federal registrou 295 casos que resultaram em várias prisões. Já no ano passado foram instaurados 1.622 inquéritos. Um detalhe que chamou a atenção dos federais é que a cidade campeã nesse tipo de ocorrência no ano passado foi Juiz de Fora, na Zona da Mata. Em seguida, vem Varginha, no Sul do estado; Montes Claros, no Norte de Minas, Uberlândia e Uberaba, no Triângulo Mineiro e Governador Valadares, na região do Vale do Rio Doce.
De acordo com levantamentos da Polícia Federal, Belo Horizonte ainda é uma cidade tranqüila com relação aos crimes de falsificações de cédulas de reais. Na opinião da delegada Cristina Amaral, isso é resultado dos treinamentos que funcionários das diversas empresas fazem na sede do Banco Central. "Os trabalhadores da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU) por exemplo, fizeram um curso especial no Banco Central e hoje são 'experts' na identificação de notas falsas", disse. Segundo ela, quase sempre aparece um funcionário da CBTU registrando casos de tentativas de usuários em passar dinheiro falso.
Na opinião da delegada, outras empresas de porte deveriam seguir o exemplo da CBTU e manter sempre seus funcionários treinados e atualizados para cercar os falsários. "Os estelionatários vêem nas empresas que trabalham com dinheiro em alta rotatividade um lugar ideal para passar as cédulas falsas", afirma Cristina Amaral.
Já as empresas de pequeno porte e o comércio em geral não são tão visados pelos golpistas, segundo a delegada, uma vez que os funcionários têm mais tempo de verificar se a nota é falsa ou não. De fato, segundo a assessoria de imprensa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) não há registros naquele órgão de empresas que caíram no golpe dinheiro falso nos últimos meses. A assessoria recomenda que, caso apareça alguma suspeita de nota falsa em estabelecimentos comerciais, os comerciantes e empresários filiados à entidade devem registrar queixas imediatamente para que sejam tomadas providências contra os estelionatários.
FONTE:
Roberto Nogueira - Diário da Tarde - http://www.uai.com.br/