INI e papiloscopistas: colaboração na construção de uma nova estratégia policial técnico-científica para o DPF
 

Gilberto Clementino dos Santos*

     

      O Instituto Nacional de Identificação fica mais velho.   Faz tempo,        adentravam ao cerrado, escolhendo local para sua sede, consultores americanos  e   autoridades brasileiras.     São algumas décadas de serviços prestados ao país. Mas, afinal, quem é esse Instituto de quem tanto se fala?

     Mesmo  com   todas  as  dificuldades  históricas        pelas  quais  sempre   passou,  o  Instituto, carinhosamente chamado de INI, tem prestado relevantes serviços à polícia, justiça e sociedade de modo geral. Desde o início, como nos dias atuais, nada é fácil, nem chega de graça. A luta é árdua, a   construção   de  bancos   que  nos  possibilitem  montar  estratégias  que  dificultem  a ação dos infratores,  conhecimento  de  seus  antecedentes  e  adotando  políticas  de prevenção e repressão adequada é sempre penosa.

     Num   tempo   de   grandes   dificuldades   no   país,   o   antigo      Departamento   Federal de Segurança  Pública,  hoje,     Departamento  de  Polícia Federal,  planejou  e  criou  um  órgão  de identificação  de  âmbito  nacional.  Era  época  de  tempos  difíceis,  sendo  o  procedimento    de identificação baseada em iniciativas, isolada, de Unidades da Federação, sem contudo, existir uma estratégia unificada,  onde  pudesse  ser  construída  uma  interligação  entre  os  Estados,  para  o estabelecimento  de  um  organismo   central   que   desenhasse   uma  estrutura  central adequada, objetivando a obtenção de melhores resultados para o combate a criminalidade.

     Em 21 de setembro de 1963, nasceu o Instituto Nacional de Identificação.     Desde então, sua luta tem sido marcada pela manutenção do maior banco de dados criminais utilizado no país, banco esse que tem sido objeto de convênios com  secretarias  de  segurança pública, tribunais de justiça, ministério público e, agora, órgãos superiores de justiça.     Aqui reside um considerável avanço, no campo da  credibilidade  e  confiabilidade  do  banco,  conhecido  nacionalmente  como    SINIC – Sistema Nacional de Informações Criminais.

     O grande  desafio  que  se  apresenta  ao   Instituto Nacional de Identificação, nos dias atuais, é oferecer soluções para  os  enormes  questionamentos  provocados  pela polícia e justiça, diante de índices de  criminalidade  cada  vez  mais  crescentes.  Desafios  como  estudos  e  pesquisas sobre sistemas monodactilares e decadactilares  de  arquivos,   treinamento e reciclagem de seus técnicos, solidificação de um  poderoso  banco  de  dados  criminais,  implementação  da  tecnologia   AFIS, acompanhamento dos estudos sobre o RIC – Registro de Identidade Única, reconhecimento  facial através de produção de retratos falados sob a metodologia informatizada, projetos Pró-Amazônia e Promotec,  estudos  sobre  retina,  DNA  e  tantas  outras  estratégias  que se correlacionam com a identificação humana.

     Não  há  mais  como  pensar  segurança   pública e polícia técnico-científica sem a presença das mais  avançadas  tecnologias.   Por  aí  caminha  o  Departamento  de   Polícia     Federal,        com enormes investimentos em seus órgãos de apoio técnico, envolvendo milhões de dólares.

     Pensar que a ficção está ao nosso alcance, para o INI, é admitir literalmente,   que a ficção está ao alcance      dos  dedos.  Presença  obrigatória  em  filmes  de espionagem   e    ficção  científica, engenhocas eletrônicas são capazes de reconhecer a pessoa pelas suas impressões digitais, voz ou retina, saliva ou sangue, a ponto de se tornarem equipamentos tão comuns quanto o mouse.

     Nesse   caminho  deve   trilhar  nosso  planejamento  de  metas  para  cada  exercício, buscando acompanhar e orientar para políticas voltadas para o   aprimoramento  e integração  do  INI    com os estados brasileiros e, especialmente, prestigiando e reforçando suas projeções regionais.

     A colaboração  da  categoria  Papiloscopistas  Policiais    Federais  tem  sido  de    fundamental importância   na   formulação   de  estratégias que buscam uma maior dinâmica no planejamento de metas para elevar cada vez mais o nome do Departamento de Polícia Federal.

     São   décadas   que  podem  e  devem  ser  comemoradas,  são fatos históricos  que precisam e merecem registro, para que as diversas modalidades de identificação  humana sejam  cada vez mais pesquisadas, fazendo com que o INI cumpra sua finalidade   e diminua a todo o momento o que for considerado defasagem técnico-científica,  pois  hoje  pode  estar  melhor,   mas amanhã temos que estar ainda melhor, afinal “a vida  é  uma  secessão  de  sucessos e insucessos  que se sucedem sem cessar”.

*GILBERTO CLEMENTINO DOS SANTOS Bacharel em Direito e Papiloscopista Policial Federal lotado e em exercício na Superintendência Regional do DPF no Espírito Santo.
e-mail: gilbertoclement@bol.com.br

 

 

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