Para um olho não
treinado, o fragmento de chumbo parece totalmente sem valor. Mas para os
examinadores do laboratório do Bureau de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo
em Rockville, Maryland, isto vale ouro: um fragmento do projétil que pode
ligar a mais recente vítima do atirador serial às anteriores. Como as
demais balas, esta foi levada cuidadosamente ao laboratório e entregue em
mãos para Walter Dandridge, 50 anos, o principal perito no caso. Usando
um pouco de cera, ele prende o fragmento a uma pequena haste suspensa sob
seu microscópio Leica de comparação e a posiciona lado a lado com uma
das balas disparadas pelo atirador. Então ele roda as balas 360 graus, as
virando de um lado para outro como um par de dançarinas sob seu
instrumento ótico. Após um longo estudo, ele se afasta da mesa. Levará
várias horas para o chefe da seção, Timothy J. Curtis, 46 anos,
confirmar formalmente as conclusões, mas o resultado parece claro. As
balas combinam. O assassino do cinturão de Washington atacou novamente.
Se há algum consolo para os horrorizados americanos que acompanham o
drama dos assassinatos do atirador, é que agora, mais do que nunca na
história, as autoridades dispõem de recursos para caçar um assassino tão
esquivo. Enquanto o atirador (ou atiradores) zombava das autoridades
fazendo mais vítimas na semana passada, elas começaram a empregar um
arsenal sem precedente de ferramentas para solucionar o caso: computadores
para traçar o perfil geográfico, na tentativa de apontar o lar do
assassino, bancos de dados balísticos que visam vincular as marcas
singulares de suas balas a outros crimes, e tecnologia de rastreamento de
substâncias para obter quaisquer pistas (digitais, DNA) que possam estar
presentes em um cartucho de bala ou carta de tarô.
Mesmo com todos estes dados a
mão, sorte e uma boa dica ainda podem ser necessárias para pegar o
suspeito. Mas os investigadores estão cada vez menos dependentes do
acaso. O que eles revelaram nesta semana é apenas uma amostra do que
possuem no seus kits de alta tecnologia. Há programas de computador que
transformam vídeos pouco claros de vigilância em imagens digitais
claras. Há scanners químicos que sondam evidências, molécula por molécula.
Há sensores experimentais -e controversos- que analisam as ondas
cerebrais do suspeito e determinam o que ele sabe e o que ele não sabe. O
ramo de caçar e prender bandidos está passando por uma revolução
tecnológica. O público, sempre ávido pela próxima novidade, não
deixou de notar -e nem mesmo a indústria do entretenimento.
Os telespectadores podem assistir a uma série envolvendo a ciência
forense quase todas as noites da semana, começando por "CSI",
da rede CBS (Canal Sony, no Brasil) que lançou a moda; seu subproduto,
"CSI: Miami", também na CBS; e "Crossing Jordan" na
NBC. No cabo, "The Forensics Files" é o maior sucesso da Court
TV, enquanto "Autopsy" está atraindo -e assustando- os
espectadores na HBO. "A combinação de ciência e trabalho policial
realmente gera um bom drama", disse Tim Kring, produtor executivo de
"Crossing Jordan".
Mas para onde isto leva? Há muitos especialistas que se perguntam se é
bom transformar a ciência forense em uma moda. Solucionar crimes não é
um trabalho tão rápido e confiável quanto um roteiro de 46 minutos faz
parecer. As investigações podem levar meses, as evidências podem ficar
confusas e os tribunais, desconfiados de qualquer novo equipamento, sempre
relutam em aceitá-los. Isto sem falar no pântano de questões
constitucionais levantadas quando um promotor tenta empregar o DNA ou o cérebro
do suspeito. "A TV romantizou a ciência forense", disse Susan
Narveson, chefe do laboratório forense do departamento de polícia de
Phoenix, Arizona, e presidente da Sociedade Americana de Diretores de
Laboratórios Criminais. Tudo isto cria expectativas irrealistas na mente
do público e dos júris.
Parte do problema é que a ciência forense sempre envolveu doses iguais
de arte e ciência, um aspecto apresentado em janeiro, quando um juiz da
Filadélfia descartou uma evidência de impressão digital em um caso de
assassinato depois que um especialista não conseguiu explicar
satisfatoriamente para ele o motivo de tais identificações serem
consideradas confiáveis. O juiz posteriormente voltou atrás, mas,
segundo o defensor federal assistente, Robert Epstein, que contestou a
admissão da impressão digital no caso de assalto, "mesmo se os
juizes aceitarem (a impressão digital), isto não significa que os júris
vão aceitá-la sem questionamento".
Desta forma, a ciência forense é na melhor das hipóteses um ramo
incerto, um exercício de descascar cebola na investigação de um crime,
usando de tudo, desde o trabalho comum do detetive até contabilidade
forense aplicada em casos como o da Enron. Mas crimes passionais ou
violentos exigem um conjunto totalmente diferente de ferramentas, e é
aqui que grande parte da nova ciência é encontrada.
Desde
a orgia de evidências do julgamento de O.J. Simpson, a ciência forense
ficou associada para muitas pessoas com uma única coisa: DNA. E por um
bom motivo. A capacidade de extrair células dos tecidos ou fluidos
corporais e usá-las para identificar uma pessoa com quase certeza sacudiu
a criminalística como nada antes. À medida que os técnicos se
aprimoravam na extração de DNA até mesmo das menores amostras, a
tecnologia se tornou cada vez mais útil, permitindo que células ricas em
evidências pudessem ser obtidas a partir de traços de suor, lágrimas,
saliva e manchas de sangue de 2,5 milímetros de diâmetro. Barry Fischer,
diretor do laboratório criminal do departamento do xerife de Los Angeles,
disse: "Você pode obter bom DNA a partir da fita de um chapéu e das
plaquetas dos óculos".
O que está surpreendendo até mesmo os cientistas são os vários -e
menos prováveis- locais onde podem obtê-lo. O DNA geralmente só é
encontrado em células que têm núcleo, o que elimina as células das
unhas, dentes e fios de cabelo. O que estas células têm é algo chamado
DNA mitocondrial, uma forma mais primitiva de código genético herdado
apenas da mãe. Mas uma técnica de seqüenciamento de DNA mitocondrial
desenvolvida pelos antropólogos para ajudar a traçar os ancestrais
humanos tem sido adotada pelos pioneiros do combate ao crime. Ninguém
finge que a nova tecnologia é tão precisa quanto o perfil do DNA
tradicional. Todavia, no final deste mês um homem de Iowa, Stephan Zanter,
de 46 anos, poderá ser julgado por um assassinato cometido em 1989, graças
ao teste mitocondrial de dois fios de cabelo encontrados na cena do crime.
Mas apesar de todo seu
glamour e promessa, o exame de DNA não é a tecnologia que realmente
empolga os cientistas forenses -ou as pessoas que produzem as séries de
TV. O que os empolga mais é o equipamento -os microscópios, scanners e
espectômetros de massa que permitem aos investigadores ver com
impressionante precisão qualquer pedaço de evidência.
Por exemplo, um dos trabalhos que os investigadores criminais
realizam rotineiramente é o teste de resíduo de pólvora nas mãos dos
suspeitos. No passado, este era um trabalho surpreendentemente de baixa
tecnologia, envolvendo o derretimento de uma bola de parafina em um pote e
a passando nos dedos e mãos. A cera então era retirada e tratada com
substâncias químicas que reagiam aos traços de pólvora. Se o resultado
desse positivo, você tinha seu atirador -a menos, é claro, que as substância
reagissem com urina, alvejantes ou fertilizantes, que tinham o péssimo hábito
de produzir resultados idênticos.
Hoje, a maioria dos laboratórios
criminais que realizam o teste contam com microscópios eletrônicos de
escaneamento. Basta apenas colocar um pedaço de fita em contato com as mãos
do suspeito, colocar a fita no microscópio e a atingir com um feixe de elétrons.
Os elementos na pólvora possuem assinaturas distintas de raio X, e se
estiverem presentes, o feixe de elétrons os avistarão. O problema?
"Você não vê o terror no rosto das pessoas quando você coloca
parafina quente nas suas mãos", disse Fischer. "Eu acho que
isto encorajava algumas pessoas a confessar".
Igualmente impressionantes são
as novas máquinas de cromatografia gasosa e espectometria de massa. Para
testar uma evidência cuja composição química é desconhecida, os
investigadores a colocam em um cromatógrafo gasoso -basicamente um forno
de alta intensidade- onde ela é vaporizada. O gás resultante é
canalizado por uma estrutura semelhante a uma serpentina com substâncias
químicas que fazem com que os componentes do gás saíam em velocidades
diferentes. Estes componentes então são separados por peso atômico e
convertidos em um gráfico. Os investigadores então comparam as leituras
com um banco de dados referencial, determinando a composição da evidência.
Mas
o problema com o cromatografia gasosa e a espectometria de massa é que,
para analisá-la, você precisa destruir a evidência -o que significa que
os investigadores só têm uma chance de realizar o teste corretamente, ou
o criminoso poderá escapar. Um novo espectômetro de laser que está
sendo desenvolvido poderá resolver o problema ao remover apenas uma
pequena lasca da amostra com um raio de luz semelhante à ponta de uma
agulha, e a cozinhando em uma fornalha de plasma equipada com um espectômetro
de massa especialmente sensível para traçar os elementos. De forma
semelhante, os pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore
na Califórnia mostraram que um dispositivo de radiação synchrotron pode
refletir um raio de energia infravermelha em uma amostra de evidência e
analisar o espectro de seu reflexo sem danificar a amostra. Os
pesquisadores também estão tentando usar equipamento de infravermelho
para analisar a composição da gordura das impressões digitais, o que
também permitiria que os suspeitos fossem identificados não apenas pelo
padrão das digitais, mas também pela química.
Às vezes as melhores impressões não existem no mundo real. Em alguns
laboratórios criminais os investigadores podem tirar fotos digitais de
uma impressão digital em uma lata colorida de refrigerante, por exemplo,
e então manipular a imagem para separar a impressão da lata. "Nós
eliminamos o fundo", disse Narveson, "o que nos dá mais chance
de captar os detalhes da impressão".
Mas talvez a mais futurista das novas tecnologia de combate ao crime, e
uma que também é alvo de muita contestação, seja um procedimento
conhecido como impressão digital cerebral (veja box). O princípio por trás
da técnica é que quando o cérebro processa uma imagem que reconhece (ao
contrário de uma imagem que você nunca viu antes), ele emite impulsos elétricos
distintos que podem ser detectados por sensores na cabeça. Uma resposta
positiva a uma foto da cena de um crime pode significar que o suspeito
esteve lá antes; uma resposta negativa pode confirmar um álibi.
Outras tecnologias são menos experimentais. Um dos sonhos mais
acalentados das autoridades policiais é a construção de um sistema
nacional de computadores que contenha as impressões digitais e DNA de
todos os criminosos conhecidos, e assinatura balística de toda arma já
usada em um crime. Versões iniciais de cada um destes bancos de dados -o
Sistema Combinado de Indexação de DNA (Codis), a Rede Integrada Nacional
de Informação de Balística (Nibin) e o Sistema Automatizado Integrado
de Identificação de Impressão Digital (Iafis)- já existem, mas ainda não
estão plenamente operacionais.
A implementação nacional da rede de balística tem sido vagarosa. Mas
quando funciona, ela funciona bem. Kareem Willis, 20 anos, foi preso no
ano passado em Nova York por assalto a mão armada. Quando a polícia
examinou sua arma, ela foi capaz de ligá-la a quatro tiroteios e três
mortes. Ele agora está cumprindo uma pena de 25 anos a prisão perpétua
por dois destes crimes. "Nós temos evidências aqui ligadas a muitos
outros crimes", disse o detetive Mike Boncimino. "Eventualmente
eles serão pegos com a arma".
O banco de dados de DNA também está longe de estar pronto, em parte
devido às complexidades legais para obtenção de amostras de DNA. Na
Califórnia, um programa que obrigava os criminosos a se submeterem a
exames de DNA foi contestado por um grupo de presidiárias no corredor da
morte, que alegaram que isto violaria sua privacidade. Elas e várias
centenas de outros presos se recusaram a fornecer seu DNA. A suprema corte
estadual encerrou o processo, ao se recusar a analisar a questão, e no mês
passado o governador Gray Davis sancionou uma legislação que permite às
autoridades carcerárias coletarem as amostras à força, se necessário.
"Eu não consigo ver logicamente a diferença entre a impressão
digital de uma pessoa e sua impressão de DNA", disse Lisa Kahn, uma
promotora de Los Angeles. Argues Peter Neufeld, co-fundador do Projeto
Inocência: "As impressões digitais não informam nada além da
impressão digital". Com o DNA, há potencialmente muito mais informação
sobre a pessoa que nós podemos não querer compartilhar com o governo.
Como você se sentiria caso seu perfil completo de DNA fosse mantido pelo
Departamento de Saúde em Washington?"
A ironia é que a evidência de DNA também pode livrar um prisioneiro
condenado. No início deste mês, Jimmy Ray Bromgard, um prisioneiro de
Montana que já tinha passado 15 anos na prisão, se tornou a 111ª pessoa
a ser inocentada por exame de DNA pós-condenação com a ajuda do Projeto
Inocência, após ser revelado que o sêmen encontrado nas roupas da vítima
não era seu.
Para pessoas que só conhecem a ciência criminal a partir das séries de
TV, as coisas são muito mais simples -e mais bonitas. Assistindo a um
episódio de CSI você poderia pensar que os investigadores forenses vivem
em um mundo de aventais de laboratório sempre recém lavados, escritórios
feitos de tijolos de vidro e mesas de autópsia belamente -e inutilmente-
iluminadas por baixo por luz púrpura. A verdade é que nas comunidades em
que os laboratórios criminais disputam os recursos do mesmo pote de
dinheiro de onde saem os salários dos policiais de rua, não há espaço
para tais luxos. Até mesmo aparelhos como os espectômetros de massa são
glamourizados na TV, com luzes piscantes e monitores de imagem que
simplesmente não existem. "Nós gostamos de equipamentos de alta
tecnologia", disse Kring de "Crossing Jordan". "E há
muitos aparelhos que giram, acendem e fazem barulhos engraçados".
Mas isto nem sempre é aceito pelos cientistas de verdade. "Eu não
acho que você encontrará muitos criminalistas que assistam a estes
programas", disse a criminalista Lynne Herold, do laboratório do
xerife de Los Angeles.
E há o problema do tempo. Como os americanos aprenderam acompanhando
investigações de Ted Bundy até o Filho de Sam, a maioria dos casos
criminais não são solucionados do dia para a noite. Mas na TV, os
investigadores têm menos de uma hora para ir do crime à captura, então
o tempo é dramaticamente -às vezes absurdamente- reduzido. "As
pessoas acham que o DNA é enviado em uma caixa e os resultados saem duas
horas depois", disse Fred Tulleners, um diretor de laboratório do
Departamento de Justiça da Califórnia. "Na verdade pode levar dois
meses".
O mito da solução rápida e fácil pode estar começando a atrapalhar a
polícia. Os cientistas forenses falam de algo que chamam de efeito CSI,
uma crescente expectativa da população de que os laboratórios policiais
podem fazer tudo o que os laboratórios da TV fazem. Eles temem que isto
possa envenenar os júris, que podem perder a capacidade de apreciar os
tons cinzentos presentes nos casos criminais reais. Isto, por sua vez,
pode desencorajar os promotores, que podem relutar em buscar bons
argumentos circunstanciais sem a necessidade de uma arma fumegante.
"Os advogados podem não estar dispostos a ir a julgamento a menos
que você tenha estatísticas de um em um milhão", disse a
criminalista Faye Springer, do laboratório criminal da promotoria de
Sacramento.
Até mesmo criminalistas novatos estão começando a contar com ciência
fajuta em primeiro lugar, e com conhecimento prático em segundo lugar.
Fischer informa que quando está entrevistando candidatos para o laboratório
do xerife de Los Angeles, uma pergunta que ele faz é o que fariam caso se
deparassem com uma vítima de assassinato segurando um saco plástico
contendo um pó azul. Geralmente, os candidatos listam uma série de
testes de alta tecnologia a qual submeteriam a substância. O que eles
nunca perguntam é onde o corpo foi encontrado. "Se fosse em uma
lavanderia, provavelmente o conteúdo do saco é sabão em pó",
disse Fischer.
Saber quando usar e quando não usar as novas ferramentas científicas é
um instinto que se desenvolve nos próprios laboratórios, mas a qualidade
destas instalações varia muito. Não há nenhum padrão nacional para o
treinamento necessário para se tornar um investigador forense, nem um
procedimento uniforme de habilitação para os laboratórios. Cerca de
dois terços dos laboratórios criminais americanos se submetem a um
sistema de avaliação, mas isto é voluntário. "Quando você corta
o cabelo", disse Fischer, "até seu barbeiro é
licenciado".
Os riscos de tal supervisão casual -somada à pressão sofrida pelos
laboratórios para produzirem evidências- foram acentuados no ano
passado, quando foi demitida a química Joyce Gilchrist, da polícia de
Oklahoma, supostamente por cometer erros científicos e interpretar
erroneamente os resultados. O estado está revendo mais de mil casos que
estiveram aos cuidados dela. Gilchrist nega ter cometido qualquer erro.
Claramente os cientistas necessitam de melhor treinamento, e as coisas estão
melhorando neste sentido. O departamento do xerife de Los Angeles promove
cursos de ciência criminal para detetives, que incluem cenários falsos
de crime em um hotel. A Universidade do Tennessee, em Knoxville, mantém
uma Instalação de Pesquisa Antropológica, uma área onde dezenas de
restos humanos são mantidos em vários estados de decomposição em
campos abertos, para ajudar os cientistas criminais a melhor compreenderem
a decomposição.
Apesar de tal trabalho poder ser medonho, não há escassez de novos
recrutas ávidos para entrar no campo -graças em parte aos programas ao
estilo CSI. Desde que as séries começaram a ser exibidas, a Academia
Americana de Cientistas Forenses foi inundada de emails de telespectadores
interessados em entrar para o campo. Em 1993, a Universidade Estadual de
Michigan recebeu 60 matrículas para 12 vagas em seu programa de justiça
criminal; neste ano o número subiu para 147. Na Universidade de West
Virginia, 200 estudantes foram matriculados no programa de ciência
criminal em 1999; neste ano tal número dobrou. A Universidade da Califórnia,
em Davis, que já oferecia um diploma técnico de ciência criminal,
elevou em um degrau o curso, também estabelecendo um programa de
bacharelado. Curiosamente, a maioria das pessoas que se matriculam nestes
cursos são mulheres: 70% na Universidade de West Virginia; 80% na
Estadual de Michigan. Jay Siegel, um diretor da escola de justiça
criminal de Michigan, especula que as estudantes são atraídas para a ciência
criminal porque o preconceito ainda limita as oportunidades para as
mulheres em outras áreas científicas. Pesquisas também sugerem que as
mulheres também identificam mais do que os homens a criminalidade como
uma das maiores preocupações da sociedade.
Quanto mais as séries de TV atraem as pessoas para o campo, mais as
universidades se dispõem a fortalecer seus cursos. Isto, por sua vez,
pode ajudar a arte da investigação a se transformar na verdadeira ciência
que precisa ser. Isto não agradará aos criminosos, mas também pode
ajudar a desapontar a nova leva de cientistas criminais. Criados em um
mundo de sinos "CSI" e apitos "Crossing Jordan", eles
podem não estar preparados para o fato de que a ciência criminal nem
sempre é rápida, divertida ou bonita. É um trabalho extenuante de teste
e erro, de becos sem saída investigativos, de repetição da mesma experiência
durante semanas ou meses até que finalmente, certo dia, todas as peças
se encaixam e o bandido finalmente cai nas suas mãos. Não é algo
semelhante ao que se vê no horário nobre -mas também não é um péssimo
dia de trabalho.